Rede Genamaz lança estudo sobre fitoterápicos

A Rede Para Conservação e Uso dos Recursos Genéticos Amazônicos - GENAMAZ, coordenada pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM, concluiu estudo do potencial de mercado de fitoterápicos na área amazônica. O documento é um relatório denominado "Estudo do Potencial de Mercado de Fármacos (Medicamentos e Cosméticos), Fitomedicamentos, "Banco de Extratos e Compostos" e Serviços de Patenteamento e Certificação".

O estudo servirá de subsídio para orientar as pesquisas sobre produtos derivados de plantas medicinais da Amazônia, a identificação de oportunidades de investimentos e a comprovação científica relacionada ao conhecimento popular sobre plantas. Quatro mercados foram analisados no documento: fitoterápicos e fármacos derivados de recursos genéticos;  banco de extratos e compostos; certificação ambiental;  e patenteamento. O objetivo desse trabalho é o fornecimento de bases sólidas para decisões a serem tomadas, visando à transformação de oportunidades em produtos, além de colaborar para o desenvolvimento regional e oferecer alternativas de atividades econômicas sustentáveis que preservem a floresta amazônica.


Sementes de Andiroba,
de uso antiinflamatório e cicatrizante

O estudo analisa  os mercados nacional e internacional  e comprova as "inúmeras oportunidades" oferecidas pelos  recursos genéticos da Amazônia, com base "na pesquisa científica e tecnológica que é o instrumento necessário para a transformação desse potencial em produtos, envolvendo os centros de pesquisa, empresas, agências de fomento e os novos parceiros institucionais".

O coordenador da Rede GENAMAZ, Lúcio Macedo,  afirma que o estudo realizado por consultoria contratada levou em consideração os indicativos do conhecimento popular de ervas medicinais. "A pesquisa pega esse conhecimento popular e vai ver se tem fundamento. E normalmente tem", afirma Macedo. O relatório diz que  poucas empresas investem em pesquisa e em melhor controle de qualidade na região e faz um alerta: "A defasagem em relação às empresas de fitoterápicos de outros países irá se ampliar, podendo ficar dependente das estratégias das grandes empresas internacionais, que estão entrando no mercado". Ainda segundo o relatório, a indústria da região é composta de poucas empresas, de pequeno porte com administração familiar e voltadas para o mercado regional. As receitas estão relacionadas aos óleos de copaíba,  de andiroba e compostos à base de mel e extratos vegetais. O nível de pesquisa é mínimo e basicamente orientado para adaptar, para a região, produtos lançados no exterior. O desenvolvimento de produtos inovadores é pouco relevante e a estratégia de lançamento de novos produtos segue as tendências do mercado internacional.

Uma avaliação do mercado internacional identifica uma expansão de duas décadas, sendo estimado em US$ 12,4 bilhões em 1994, em US$ 7 bilhões, na Europa, em 1996 e entre US$ 2 bilhões e US$ 3,24 bilhões, nos EUA, em 1996. Ginkgo biloba, hypericum, echinacea são alguns dos produtos mais vendidos. A Alemanha se destaca como o país que mais consome fitoterápicos, realizando um elevado número de pesquisas científicas na área.  O mercado brasileiro de produtos contendo exclusivamente princípios ativos de origem vegetal em 1998 foi estimado em US$ 566 milhões. O relatório está disponível na Internet no endereço http://www.genamaz.org.br/forums/aca1/dispatch.exe/gen_mol/doc Profile/100211/d20000309125946/No/Farmacos.doc

PRINCIPAIS DOENÇAS


Forma de extração do óleo de copaíba


Pedra-ume-cáa: indicada para diabete

Pré-seleção de espécies de plantas medicinais da Rede Genamaz para pesquisas de acordo com a Classe Terapêutica e tipo de doença e as respectivas espécies de plantas medicinais:

Cardiovascular / baixa colesterol / triglicerídeos / hipotensoras

Imbaúba branca - Cecropia palmata

Erva de jaboti - Peperomia pellucida

Maxixe - Cucumis anguria

Boldo verde - Veronica condensata

Açoita cavalo - Luhea divaricata, L. poniculata

Maria mole - Comelinna sp. Virginica

Sacaca - Croton cajucara (em discussão por possíveis efeitos colaterais no longo prazo)

Diabete        

Pedra-ume-caá -  Myrcia sphaerocarpa

Pata de vaca - Bauhinia forficata

Ajiru - Crhysobalanus icaco

Cipó-pucá - Cissus siscoydes

Anti-inflamatório / Cicatrizante / Estimulante /Antianêmico

Copaíba - Copaifera spp.

Andiroba - Carapa guianensis

Muirapuama - Phychopetalum olacoides

Falsa Quina - Quassia ehina amara

Jambú - Spilanthes oleracea

Crajiru - Arrabidea chica

Antiparasitose        Ipecacuanha - Psychotria ipecacuanha

Marupazinho - Eleutherie plicata

Caa-membeca - Poligola spectobilis

Mastruz - Chenopodium ambrosioides

Hortelanzinha de panela - Mentha rotundifolia

fonte: Genamaz


Exemplar de ipecacuanha

Lista das plantas medicinais amazônicas negociadas no exterior

Plantas medicinais

1

Abuta - Cissampelos pareira*

2

Acerola - Malpighia glabra

3

Andiroba - Carapa guianensis

4

Cedro Amargo - Cedrella odorata*

5

Cipó Cabeludo - Mikania hirsutissima*

6

Copaiba - Copaifera officinalis

7

Dipteryx odorata

8

Damiana - Turnera aphrodisiaca*

9

Imbaúba - Cecropia peltata*

10

Guaraná - Paullinia cupana

11

Ipecacuanha - Psychotria ipecacuanha

12

Jatobá - Hymenaea courbaril*

13

Jucá - Caesalpinia ferrea*

14

Jurubeba - Solanum paniculatum*

15

Manjerioba - Cassia occidentalis*

16

Mastruço - Chenopodium ambrosiodes*

17

Melão de São Caetano - Momordica charantia*

18

Muirapuama - Ptychopetalum olacoides

19

Pata de vaca - Bauhinia forticata*

20

Pau d'Arco - Tabebuia impetiginosa

21

Pedra Ume Caá - Myrcia salicifolia*

22

Quassia - Quassia amara*

23

Sacaca - Croton cajucara*

24

Sangue de Dragão - Croton lechleri*

25

Tipi - Petiveria alliacea*

26

Urucum - Bixa orellana

Fonte: Pesquisa em sites e material de divulgação de empresas
*comercializadas apenas por empresas especializadas em produtos da Floresta Amazônica