Instituições e comunidades reúnem-se para aprimorar cultivo e aplicação de recursos vegetais

Muito do que já é conhecido e amplamente utilizado pela sabedoria popular, em termos de plantas medicinais e aromáticas, vai ser alvo, dentro de pouco tempo, de detalhadas pesquisas, que, além de se aprofundarem no conhecimento dos princípios ativos dos vegetais, também farão estudos visando a conservação de germoplasma.

O projeto, denominado "Conservação e Utilização de Germoplasmas de Plantas Medicinais e Aromáticas da Amazônia: Uma Estratégia envolvendo Comunidades" será desenvolvido conjuntamente pela SUDAM; Faculdade de Ciências Agrárias do Pará (FCAP); Universidade Federal do Pará (UFPA); Museu Paraense Emílio Goeldi; Embrapa Amazônia Oriental e Comissão Pastoral dos Pescadores da CNBB.

As entidades aguardam agora a decisão da Agência Japonesa de Cooperação Técnica Internacional (JICA), a quem o projeto foi encaminhado, para que possam obter financiamento para por em prática o que está previsto no projeto.

Medicina Popular já é amplamente utilizada

Mesmo sem possuir conhecimento científico profundo, as populações amazônidas utilizam as plantas aromáticas e medicinais desde tempos imemoriais. Indígenas já usavam vários recursos vegetais, tanto para fins medicinais como para enfeitar o corpo ou mesmo proteger-se de mosquitos e carapanãs. O progresso foi chegando, a população crescendo, mas a manipulação das ervas medicinais e aromáticas é tradição passada de geração em geração. Andiroba, copaíba, ouriço de castanha-do-Pará, sucuriju, erva de jabuti, e tantas outras, têm lugar garantido no tratamento de enfermidades. Assim como não há quem rejeite, em época junina, um bom banho de cheiro, feito com patchuli, priprioca, catinga de mulata, pau-rosa, e outros. E, na cultura popular, ainda temos também o uso das ervas para as simpatias: amor crescido, carrapatinho, vai-e-volta, japana. E por aí vai a imensa variedade de recursos e usos múltiplos.

Com o projeto multiinstitucional de Conservação e Utilização de Plantas Medicinais e Aromáticas, a idéia é unir o que já há de conhecimento popular e ampliá-lo com as pesquisas científicas, tudo com o apoio direto das comunidades envolvidas no projeto e que dele se beneficiarão.

A comunidade escolhida para dar início ao projeto foi a de pescadores artesanais do Estado do Pará, cadastradas através de associações.

A manipulação das plantas propiciará às comunidades medicamentos "vivos" (isto é, chás, infusões ou as populares "garrafadas", feitas com os vegetais frescos e apenas processados de maneira natural), ou de outra natureza e com alternativas de sistemas de produção (óleos ou pó de ervas, processados e transformado em comprimidos, por exemplo), mas tudo feito de forma a ter sempre como enfoque a conservação e o uso racional dos recursos naturais.

As pesquisas do projeto envolverão coleta, conservação, caracterização e avaliação de germoplasma; desenvolvimento de sistemas agroflorestais e de produtos (ou seja, incentivo, orientação e apoio técnico para que as comunidades produzam plantas medicinais e aromáticas para uso próprio).

Quina
Quina, popularmente usada no
combate à malária

A princípio, foram escolhidas levando em consideração o risco de erosão genética/extinção, potencial econômico e de uso medicinal e aromático, as seguintes espécies:

Pau Rosa
A essência do pau-rosa é utilizada
até por perfumarias internacionais

A conservação será feita em campos experimentais (coleções), laboratórios (criopreservação) e áreas de produtores rurais (hortofarmas). Serão instaladas sete hortofarmas em comunidades assistidas pelo Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP)-CNBB, utilizando-se essas e outras espécies de interesse, escolhidas pelos produtores.