Uma ótima opção para o paladar:
Sabores das Frutas Amazônicas
Há quem não dispense para o café da manhã um suco como complemento. Outros, preferem como líquido refrescante nas horas mais quentes da manhã. E ainda podemos contabilizar as vantagens que o suco de uma fruta rica em vitaminas pode proporcionar em termos de energia. Elementos básicos numa dieta saudável e equilibrada, as frutas fazem parte da alimentação humana desde que o mundo é mundo. Afinal, Adão e Eva já se rendiam aos "pecados" de uma maçã!
Na Amazônia, a diversidade dos sabores regionais encanta o paladar até mesmo dos gourmets mais exigentes. Frutas como cupuaçu, bacuri, açaí e graviola, entre outras, já assumiram seu lugar de destaque na mesa dos consumidores, tanto em nível nacional quanto internacional, extrapolando as fronteiras regionais, onde reinam absolutas na preferência da população.
Entretanto, não basta saber que essas frutas têm mercado consumidor garantido. É preciso, também, assegurar que essas espécies terão continuidade e, mais do que isso, seus cultivos poderão ser feitos de maneira mais abrangente, racionalmente organizada, e até mesmo consorciadas com outras espécies para melhor aproveitamento, com resultado rentável e direcionado até mesmo ao mercado de exportação.
Com esse objetivo, as entidades integrantes da Rede Genamaz vêm realizando vários estudos. No ano passado, em agosto/99, foi realizado um workshop denominado "Biodiversidade de Fruteiras com Potencial Sócio-econômico na Amazônia", que reuniu pesquisadores, associações de produtores, cooperativas, agências governamentais e financiadores nacionais e internacionais, para discutir os problemas técnicos da fruticultura na Amazônia e a programação das instituições regionais sobre a pesquisa científica e tecnológica da biodiversidade de fruteiras em desenvolvimento na região. Os assuntos debatidos nesse workshop já foram transformados em um relatório final que está disponível no site do Genamaz.

Entre as conclusões, há a análise feita pelos técnicos de se priorizar as pesquisas sobre as espécies que são nativas e as cultivadas na região amazônica, como acerola, abacaxi, banana, bacuri, cupuaçu, coco, cacau, graviola, laranja, maracujá, pupunha e castanha-do-Brasil.
As quatro oficinas pertinentes ao workshop versaram sobre os seguintes assuntos: recursos genéticos e melhoramento; programas de manejo; pós-colheita, processamento e comercialização; e sobre as diretrizes para uma política de fruticultura na região amazônica.
Para que o açaí continue a estar presente no cardápio dos amazônidas, sem sofrer os prejuízos do corte indiscriminado dos “caçadores de palmito”, a “Eutherpe oleracea” foi uma das espécies priorizadas para receber investimentos. O maracujazeiro também merece destaque na pauta de prioridades. Seu aproveitamento em plantio consorciado também é alvo de estudos, bem como por se tratar de fruta com potencial para exportação.
Na questão de padronização de qualidade para atender ao mercado consumidor, tanto interno quanto de exportação, a oficina de pós-colheita, processamento e comercialização concluiu que é necessário estabelecer padrões de qualidade, treinamento em pós-colheita, capacitação em processamento e controle de qualidade, acrescentando o diferencial que vai valorizar o produto. Além disso, alguns problemas que já ocorrem há séculos, até mesmo pelo uso indiscriminado de técnicas de cultivo não compatíveis com as espécies, precisam ser corrigidos para melhor aproveitamento da produção, sem desgastes desnecessários nem do solo nem dos resultados das colheitas. Para isso, devem contribuir a ordenação e disponibilização de conhecimentos e tecnologias já gerados.

Entre
as frutas regionais da Amazônia,
o
cupuaçu tem lugar de destaque
Segundo o coordenador do projeto GENAMAZ, Lúcio Macedo, o Grupo de Ciência e Tecnologia da SUDAM vem se dedicando, desde 91, ao avanço no estudo da biodiversidade regional, através do planejamento e apoio técnico e financeiro. Já a Embrapa, destaca-se nacionalmente e na Região, como uma instituição de referência no conhecimento científico sobre o desenvolvimento de pesquisa envolvendo fruteiras tropicais. "A parceria entre as duas instituições pretende promover discussões técnicas, para entre outros objetivos, estimular ações em rede na Região Amazônica, que venham dar respostas mais efetivas aos produtores regionais", diz Lúcio.
É hora, portanto, das frutas regionais deixarem a sua condição de “selvagens” para, civilizadamente, crescerem, se reproduzirem ordenada e rentavelmente, multiplicando os benefícios agrícolas e sócio-econômicos da região, e ocuparem seus lugares nas mesas da Amazônia – onde já têm lugar cativo –, do Brasil e do mundo.
Quem sabe se algum dia, por aí, pelos restaurantes sofisticados do circuito New York–Paris-Londres-Tóquio, não estaremos ouvindo o garçom nos oferecer gentilmente sucos de cupuaçu, bacuri ou açaí, ou ainda doces de castanha ou de graviola, como petiscos especiais da casa?